Destaques
Tudo que acontece na Estrada Real.
Fique por dentro
10 de Abril de 2017

Tradição secular da Semana Santa de São João del-Rei celebra morte e ressurreição de Cristo

São João del-Rei. Semana Santa
Ofício de Trevas faz parte da Semana Santa da cidade desde o século XVIII 
Entre os meses de março e abril, dependendo do ano, a Semana Santa é tradição religiosa presente no calendário dos católicos. Neste período, fiéis lotam as igrejas e se reúnem em missas e procissões com o intuito de rememorar a Paixão, a Morte e a ressurreição de Cristo. Em Minas Gerais, estão algumas das celebrações mais conhecidas do país. Entretanto, em meio à diversidade de manifestações religiosas, existem tradições seculares desconhecidas e que expressam a fervorosa religiosidade do povo mineiro.  

Para os viajantes que percorrerão a Estrada Real ao longo da Semana Santa, várias cidades da rota oferecem programações singulares. É o caso de São João del-Rei, onde na Quarta-feira Santa ocorre o Ofício de Trevas na Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar . A Semana Santa da cidade histórica é uma das poucas no mundo a celebrar originalmente o Ofício de Trevas. A tradição foi trazida pelos colonizadores portugueses há mais de 300 anos e incorporada pela Irmandade do Santíssimo Sacramento da Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar.  

O rito reconta o sofrimento de Jesus através de orações, salmos, leituras e lamentações. Ele é divido em três partes: a primeira é realizada na noite da Quarta-feira Santa. Os outros dois atos, Matinas e Laudes, acontecem nas manhãs da Sexta-feira da Paixão e do Sábado de Aleluia.  

Durante a cerimônia, o tenebrário, um grande candelabro triangular com 15 velas acesas (14 amarelas e uma branca), fica do lado direito do altar. A cada salmo lido, uma vela é apagada, retirada do candelabro e escondida. Nesse momento, apagam-se todas as luzes da igreja e os fiéis batem nos bancos ou com os pés no chão, provocando um barulho alto em alusão às trevas. A escuridão remete ao período entre a Sexta-feira Santa e a madrugada do Domingo de Páscoa, em que Jesus Cristo ficou no sepulcro. Em seguida, as luzes são acesas novamente, simbolizando a ressureição de Cristo. As velas que se apagam representam os discípulos, que pouco a pouco abandonaram Jesus Cristo. Entretanto, das 15 velas, a branca é a única que permanece acesa. Ela lembra Cristo como luz eterna do mundo. Ao término da celebração, os fiéis saem da igreja em silêncio e no escuro.  

A cerimônia ainda conta com a participação da Orquestra Ribeiro Bastos, responsável por executar obras de compositores mineiros.  

Celebração optativa e em latim  

O Ofício de Trevas também envolve algumas curiosidades. Uma delas é que o rito é conduzido em latim. Para facilitar o entendimento dos fiéis, um comentarista sacro atua como tradutor explicando os rituais. Outra curiosidade é que por determinação do Concílio Vaticano II, realizado entre 1962 e 1965, a cerimônia se tornou facultativa na programação da Semana Santa. Antes da promulgação na conferência ecumênica da Igreja Católica, o rito fazia parte da liturgia oficial.  
Compartilhe esta página: